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Domingo , 02 de Abril de 2006

O livro que jamis li

Quando eu tinha por volta de dez anos, minha irmã mais velha tinha mania de ser professora e de que eu era seu aluno. Sempre que podia, eu fugia dela, pois já bastavam as aulas na escola para deixarem uma criança de dez anos suficientemente instruída e de saco cheio.

 

Na época eu gostava de ler livros de aventura e policias. Me deliciava com as aventuras de Tarzan, o raciocínio pontiagudo de Sherlock Holmes, as tramas perfeitas de Aghata Christie.

 

Num dia muito inspirado, minha irmã acordou com uma idéia: “Ler livros de aventura! Taí uma atividade que ele vai fazer sem reclamar. " Então ela me “passou” como “lição de casa” a leitura de um livro que tinha tudo para eu gostar. Lembro-me do título; “Silêncio, sinistro e fundo”. O tema era sobre as atividades bélicas de um submarino durante a Segunda Guerra Mundial. Olhei as ilustrações que me fascinaram. Realmente eu o teria lido... se não fosse ela que tivesse mandado.

 

Enrolei-a o mais que pude e li outros livros no lugar. Quando passou um mês mais ou menos, ela me cobrou a leitura. Primeiro respondi com evasivas e por fim, menti:

 

-- Eu li o livro

 

Desconfiada, ela retrucou:

 

-- Não leu

 

-- Li, sim! - confirmei com ênfase, e uma certa agressividade

 

Esperta, e com uma certo ar de desafio, ela me deu um ultimatum:

 

-- Então me conte a história.

 

Eu precisava me livrar desta pressão e, baseado nas ilustrações que vira, inventei uma história. Como eu gostava do assunto, criei uma bela história. Minha irmã adorou e nada percebeu, pois eu acredito que ela mesma não tinha lido.

 

Algum tempo depois, senti vontade de ler realmente o livro. Comecei, li uma ou duas páginas e parei. O que me impedia agora? Tentei mais algumas vezes e não consegui e, por fim, abandonei-o de vez.

 

Recentemente, eu o encontrei na casa de meus pais e comecei a lê-lo. Aí me dei conta dos motivos que me levaram a não lê-lo.

 

O primeiro, mais óbvio, é que prazer que vira obrigação, não é mais prazer e o segundo é que eu passei a temer que a história que eu inventara fosse melhor que a escrita no livro. E, apesar de não mais lembrar do meu enredo imaginário, fechei e guardei o livro.

 

Creio que jamais o lerei.

 

 Alvaro A. L. Domingues

http://sombrasesonhos.zip.net


Escrito por Alvaro às 20h47
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